A inércia dos bibliotecários de Minas Gerais
Aborda questões sobre o baixo nível dos empregos para bibliotecários atualmente. Exalta a importância da legalização de um sindicato para lutar por melhorias trabalhistas. Incentiva uma ação de apoio financeiro e estrutural do CRB6 para o sindicato.
Alguém já parou para pensar por quê nossa profissão está tão desvalorizada nesse país? Todos sabemos que os motivos são muitos. Podemos citar como motivos a má fase econômica que o Brasil atravessa, o pouco interesse de governos pela educação de qualidade e a pouca ou nenhuma consciência da população brasileira a respeito da importância da biblioteca e da leitura. Além de muitos outros motivos relevantes que não irei tratar nesse artigo.
O motivo que pretendo abordar é a inércia que predomina em nossa classe profissional. Não considero esse motivo a principal causa para essa situação injusta. Mas, um olhar mais cuidadoso sobre esta inércia que envolve grande parte de nossos colegas pode ser o primeiro passo para que mudemos essa situação vexamosa e humilhante.
Não sou um estudioso sobre a condição trabalhista de colegas bibliotecários de outros estados. Mas, percebe-se em estados que possuem um sindicato de bibliotecários como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná uma comunidade bibliotecária mais atuante. Não tenho argumentos que comprovem esta afirmação, além de minhas observações dos websites desses sindicatos.
E Minas Gerais?
Minas Gerais se destaca no Brasil como o segundo maior estado. Berço de grandes conquistas históricas, grandes personalidades artísticas, políticas etc. Será que não estamos um pouco fora do contexto? Os bibliotecários mineiros deveriam apresentar uma postura mais condizente com a história de sua terra natal.
Quando me formei em 2005, fiz uma pesquisa na internet para descobrir endereço, telefone, website, e-mail ou alguma outra informação que me ajudasse a descobrir os procedimentos de associação. Mas, adivinhem o que encontrei? Nada. Encontrei o sindicato de bibliotecários de São Paulo, do Rio e do Paraná. Foi uma sensação muito deprimente.
Não é difícil encontrar bibliotecários mineiros que criticam o CRB6 por sua passividade. Concordo que o CRB6 poderia ser mais eficiente e apresentar mais resultados na sua área de atuação.
Seria interessante, ao invés, dos bibliotecários criticarem e se afastarem uns dos outros, proporem novas idéias e ações conjuntas. Acredito que críticas sempre são bem vindas, desde que acompanhadas de sugestões e atividades inéditas.
Talvez, um primeiro passo para a melhoria das condições trabalhistas, como uma remuneração mínima decente, dos bibliotecários mineiros seria o seguimento da criação do sindicato dos bibliotecários de Minas Gerais. Órgão que seria o representando da classe perante os patrões.
Para encerrar esse artigo de estréia do Portal da BiblioTurma, termino com uma pergunta. O CRB6 apoiando essa causa financeiramente e estruturalmente durante um certo tempo, não seria uma forma de retirar um pouco do peso das cobranças dos bibliotecários no que tange as atribuições do sindicato?
Links
Teria como você divulgar aqui os links do grupo BiblioVagas e ABMG? Assim quem sabe poderíamos estar ajudando algum colega desesperado! hehehe...
Abraços e Saudades de Ti!!
Links
Esse portal é maravilhoso, gostaria de ter mais tempo e participar mais.
Sinto muito orgulho da nossa turma, tantas mentes brilhantes e agora todo mundo longe.
Essa é a parte ruim de formar.
Seguem os links:
BiblioVagas - http://www.grupos.com.br/grupos/bibliovagas
Logar no yahoo e se cadastrar na lista. Não é necessário aguardar confirmação.
ABMG - http://www.abmg.org.br/abmg/ Entrar no site e através do FALE CONOSCO solicitar o envio de notícias para seu correio.
Abraços pra vc e quando tiver tempo vem prá cá me visitar. [Eu te ensino a correr de bala perdida!]
Inércia dos bibliotecários
Em primeiro lugar existe um mito de que o bibliotecário é desvalorizado eu não enxergo bem assim. Eu creio que isso exista muito mais na cabeça dos bibliotecários do que no mercado em si. Trabalho com informação empresarial, especialmente com arquivos e sempre que chego a uma empresa em alguns minutos de conversa a pessoa começa e me respeitar como um profissional que traz a solução para o problema da empresa. Obviamente isso não se da por eu ser bom, pelo contrário, acabei de me formar e estou aprendendo, mas pelo fato de eu não me enxergar como um fracassado que fez biblioteconomia por falta de opção. Me sinto muito orgulhoso de ser bibliotecário e realmente é lamentável ver colegas mendingando por um emprego dentro de uma instituição pública enquanto o mercado está repleto de oportunidades (nada contra o concurso público, apenas pela falta de visão de alguns). Em verdade não falta espaço, pelo contrário sobra! Existe muito mais trabalho do que bibliotecários, contudo pouca gente enxerga isso.
Em relação ao sindicato é importante esclarecer certas diferenças. Sindicato não é associação, nem conselho. Apenas para lembrar conselho têm função de fiscalizar, associação agrupa os profissionais em torno de algo comum, contudo o sindicato é o forum de discussão política de uma categoria onde se discutirá o futuro dessa categoria e suas relações com a sociedade. O que existe de comum nos três casos é que muita gente critica, muita mesmo. Mas, ninguém lembra que tanto conselho, quanto associação ou sindicato são feitos de pessoas. Um sindicato forte só existe se uma categoria o faz forte!
É óbvio que não devemos esperar que a grande massa, numa loucura revolucionária se levante e tome as rédeas dessa processo. Lembremo-nos que nosso país é massacrado a mais de duas décadas por desemprego e salário de fome, em detrimento a políticas que so beneficiam o capital internacional em suas formas mais crueis.
Entendo que o processo de mudança começa com uma meia duzia de três ou quatro que levantam a bandeira da coisa e correm atrás, arrastando, literalmente os demais. Essa meia dúzia irá sacrificar-se, trabalhar noite e dia e ser criticada pelos demais, a pergunta é: alguém aqui quer fazer parte dessa minoria? Pensem bem antes de responder, pois significa muito trabalho, pouco reconhecimento, e muitos problemas... eu estou disposto e tenho tentado contato com mais pessoas dispostas, mas confesso que tem sido difícil a maioria prefere perder-se nas malhas do conformismo, da reclamação e da transferência de responsabilidade que parece ser uma arquétipo da nossa sociedade.
Certamente o processo é lento e doloroso, mas eu acredito na luta! Bibliotecários de Minas, Uni-vos!
Inércia dos bibliotecários
A inércia dos bibliotecários de Minas Gerais
Desse dia em diante tenho mantido contato diariamente com um desses colegas objetivando um sindicato nosso, aqui nas Gerais.
Informo que tempos atrás, quando começava o curso, estive envolvida com a abertura do nosso sindicato. No entanto, devido a problemas particulares, tive que me afastar. O que posso afirmar é que as pessoas envolvias eram pessoas sérias que lutavam guerreiramente. Parece-me que tinham como grande entrave um documento em Brasília - questões políticas. Como disse, não posso afirmar se era isso e/ou somente isso.
No momento fico por aqui, com a promessa de que insistirei com que mais profissionais envolvam nessa causa.
Stela Maris
8º Perído
Bibli-ECI-UFMG
Bibliotecários (nós!)
Há pouquíssimo tempo tivemos um problema aqui na empresa e o Sindicato se mostrou mais ágil que o CRB7. Falando em CRB, você disse que nós só sabemos criticar. Maurício eu concordo plenamente com você. Nós temos a maior competência em discordar das coisas e pouquíssima competência em sugerir soluções. Até acredito que muitas vezes, tenhamos essas sugestões, mas falar é arriscar a ser criticado. Quando falamos nossas idéias estamos nos expondo e isso pode terminar em críticas. Ninguém gosta de ser criticado, a não ser que a crítica seja favorável é claro!
Eu não conheço muito do CRB6, pois fiquei muito pouco tempo filiada a ele. Enquanto fiquei na ECI sei que o CRB6 muito pouco (ou nada) fez. Sempre visito o site e não costumo encontrar nada que me acrescente enquanto profissional. Alguns CRBs são mais atuantes, como por exemplo o do nordeste. O site deles é bem completo e aparentemente (digo aparentemente, pois só conheço o trabalho deles via site) eles são mais atuantes e discutem um pouco melhor as nossas questões e problemas. O CRB7 se faz alguma coisa aqui no Rio de Janeiro deve manter em total sigilo. A lista de discussão do ABMG (a associação citada no início desse comentário) é muito pertinente. Lembro de receber notícias muito importantes pela lista. Outra lista que muito efeito fez na minha carreira é a BiblioVagas. Fiquei sabendo do concurso da Petrobras por essa lista e muito antes de sair edital.
A parte chata do “ser bibliotecário” é ter que provar que somos necessários e importantes. Isso é muito chato e desgastante. Quando isso acontece, acredito que o nosso crédito fica, ou seja, depois que mostramos o nosso valor, as pessoas não se esquecem. E não deixam de procurar nossos serviços, tornando-se divulgadoras dos nossos trabalhos e competências. Isso é muito forte aqui na Prospecção Tecnológica. O retorno das pessoas é muito bom. O problema disso é a demanda de trabalho que vai nas alturas e NENHUMA empresa contrata o número necessário de bibliotecários em seu quadro.
Sobre o que você falou dos salários, o problema é que muitas instituições usam o piso salarial como teto salarial. Eu não entendo como não percebem que BIBLIOTECÁRIO é a profissão mais importante do mundo!